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No início dos anos 90, o chinês Changpeng Zhao trabalhou em um fast food para ajudar a família. Quase três décadas depois, em uma trajetória que renderia um filme, ele fundou a Binance – maior exchange de criptomoedas do mundo em volume de negociação – e passou a fazer parte do seleto grupo de homens mais ricos do planeta.

Neste guia, o InfoMoney narra a história de “CZ”, como é conhecido no mercado. Revela o passado, a formação e o caminho percorrido por ele até virar um dos principais personagens do universo das criptomoedas. Conta também como um jogo de poker mudou sua vida e o aproximou do Bitcoin (BTC).

Quem é Changpeng Zhao

Changpeng Zhao nasceu em Jiangsu, província localizada na costa Leste da China. Sua mãe é professora dos ensinos fundamental e médio e seu pai é professor universitário.

Na final da década 80, imigrou com sua mãe e irmã para Vancouver, no Canadá. Alguns anos antes, seu pai havia ido para o país norte-americano por causa de problemas enfrentados durante a Revolução Cultural da China. O movimento, liderado pelo estadista Mao Tsé-Tung, perseguia intelectuais que eram contra o regime comunista.

Nos primeiros anos como imigrante, o agora empresário trabalhou por um tempo vendendo hambúrgueres em uma unidade do McDonald’s. Além disso, também fez um “bico” como atendente noturno em um posto de gasolina.

Ainda na adolescência, ele teve contato com programação em casa por meio de seu pai, que entendia do assunto. Antes de completar 18 anos, Changpeng Zhao fez alguns cursos na área, gostou do que aprendeu e decidiu ter uma carreira na área de tecnologia.

Formação e carreira

Zhao estudou ciência da computação na Universidade McGill, em Montreal. Depois da graduação, ele foi para o Japão para trabalhar com desenvolvimento de softwares de trading na Bolsa de Valores de Tóquio.

Entre 2001 e 2005, segundo seu LinkedIn, foi para Nova York e trabalhou como head de desenvolvimento na Bloomberg Tradebook. Ele gerenciou uma equipe responsável pela plataforma de negociações de futuro do negócio. No final de 2005, deixou a empresa, decidiu seguir “carreira solo” e fundou a Fusion Systems, companhia que desenvolvia sistemas para brokers.

A descoberta do Bitcoin

Em 2013, no entanto, a vida de Changpeng Zhao tomou um rumo diferente. Durante um jogo de poker, um colega lhe falou sobre o Bitcoin. Após ler o white paper (guia) escrito por Satoshi Nakamoto (“pai” do BTC) e pesquisar a fundo o tema, ele foi fisgado pela tecnologia. Na época, ele também participou de uma conferência sobre BTC em Las Vegas, e viu nos participantes – um monte de nerds – sua turma, disse em entrevistas.

Logo após cair de amores pelo Bitcoin, CZ fez uma jogada arriscada: ele deixou a Fusion Systems, vendeu seu apartamento e colocou o dinheiro do imóvel na moeda digital. Apesar de a estratégia ter dado certo para ele, especialistas recomendam cautela ao investir em criptomoedas, que ainda são extremamente voláteis.

Ainda em 2013, o empresário mergulhou profissionalmente no mercado cripto e entrou na Blockchain.info, empresa que oferece explorador de blockchain e carteira de criptomoedas. Lá, ele atuou como head de tecnologia por cerca de um ano. Trabalhou ao lado de nomes importantes do setor, como Roger Ver, Anthony Antonopoulos e Nicolas Cary.

Logo depois, em setembro de 2015, decidiu empreender no segmento cripto e fundou a BijieTech, uma startup que provia sistemas para exchanges. A empresa vendeu projetos para pelo menos 30 corretoras na Ásia. Em 2017, no entanto, ele resolveu passar para o outro lado do “balcão” e fundou a sua própria corretora, a Binance.

Como Changpeng Zhao criou a Binance

A Binance foi criada em julho de 2017. Nasceu com a missão de ser “puramente cripto”, conforme a abertura do white paper do projeto: “Em nossa opinião, existem fundamentalmente dois tipos diferentes de exchanges: as que lidam com moeda fiduciária; e as que lidam puramente com criptomoedas. É neste último que iremos nos concentrar”. No entanto, ao longo dos anos, por causa da pressão regulatória, a empresa vem amenizando seu lado “libertário”.

Para arrecadar dinheiro e dar vida à exchange, ainda em meados daquele ano CZ e equipe fizeram uma ICO (sigla em inglês para Oferta Inicial de Criptomoedas). Uma ICO é semelhante a uma IPO (Oferta Pública Inicial), e é usada para angariar fundos para projetos na área de blockchain.

Foram criados 200 milhões de unidades de Binance Coin (BNB), criptomoeda “nativa” da corretora. Do total, 40% dos BNBs ficaram com a equipe fundadora, 10% com os acionistas e 50% foram colocados à venda. Em três semanas, a Binance arrecadou US$ 15 milhões.

Seis meses após a captação milionária, a exchange se consolidou como a maior do mundo em volume de negociações. No final de 2021, a exchange movimentava diariamente cerca de US$ 18 bilhões, segundo dados do Coingecko. O volume é quatro vezes maior que o registrado pela exchange norte-americana Coinbase, a segunda no ranking.

Hoje, segundo seu site institucional, a Binance disponibiliza cerca de 500 criptomoedas, que podem ser negociadas em mais de 180 países. No total, a empresa tem 3 mil colaboradores espalhados em 40 nações, inclusive no Brasil.

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Binance versus reguladores

A exchange não tem sede e opera de forma descentralizada. Além disso, oferece alguns produtos que, na visão de reguladores, precisariam de autorização prévia para serem comercializados.

Esse modelo de negócio colocou a empresa na mira de autoridades financeiras de países como Inglaterra, Estados Unidos, Japão, Itália, Alemanha e Brasil. No Reino Unido, a empresa chegou a ser banida.

Ao longo de 2021, por causa da pressão regulatória, a exchange tentou se adaptar às regras das jurisdições onde atua. Em julho, por exemplo, Changpeng Zhao divulgou uma carta aberta, na qual disse que o mercado de criptomoedas é complexo e novo, e precisa de orientações mais claras dos reguladores para continuar crescendo.

“Nós humildemente acolhemos orientações mais construtivas para nos ajudar a crescer melhor”, escreveu. “Eu e todos na Binance estamos prontos e ansiosos para sermos parceiros no desenvolvimento e no cumprimento de diretrizes que ajudarão a indústria a crescer de forma sustentável”, relatou em outro trecho.

Em setembro, em mais um movimento para se adequar às legislações, CZ disse à imprensa chinesa que a Binance poderia abandonar seu modelo de operação descentralizada para adotar um sistema mais clássico de hierarquia com sede física:

“Como administramos uma bolsa centralizada, percebemos que precisamos ter uma entidade centralizada para trabalhar bem com os reguladores. Precisamos ter registros claros da propriedade das partes interessadas, transparência e controles de risco”.

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Binance e polêmicas no Brasil

A Binance chegou ao Brasil no final de 2019. Em pouco mais de um ano de funcionamento, a exchange assumiu a liderança no país, abocanhando fatias do mercado até então ocupadas por exchanges nacionais, como Mercado Bitcoin, Foxbit e NovaDAX.

A operação da empresa chamou atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em julho de 2020, a autarquia alertou o mercado que a corretora não poderia ofertar derivativos no país. Em agosto de 2021, a plataforma parou definitivamente de oferecer os produtos por meio da versão em português do seu site. Brasileiros, no entanto, ainda podiam ter acesso a eles por meio da versão em inglês do portal, além do aplicativo.

Não foi só o regulador brasileiro que bateu de frente com a exchange. Em março de 2021, a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) – composto por algumas corretoras nacionais – pediu para o Banco Central, o Ministério Público Federal e a CVM apurarem possíveis atuações irregulares da Binance.

Na nota enviada à imprensa na época, a entidade disse que a exchange tem “desprezo pelo cumprimento das normas brasileiras que regem o bom funcionamento do mercado financeiro e de capitais, o que coloca em risco investidores e a credibilidade de órgãos reguladores e autorreguladores”.

Em resposta, a Binance disse que as acusações apresentadas eram “infundadas e incorretas” e “anticoncorrenciais por natureza”.

Qual a fortuna de Changpeng Zhao

Changpeng Zhao, de acordo com o ranking da Forbes, tem uma fortuna de US$ 1,9 bilhão (pouco mais de US$ 10 bilhões, segundo a cotação do dólar do dia 13 de dezembro). Segundo a publicação, o empresário está entre os 50 homens mais ricos de Cingapura, onde vive atualmente.

Apesar da abastança, CZ tem um estilo de vida bastante básico. Não costuma andar em carros de luxo, vestir marcas de grife ou ostentar nas redes sociais. Sua assessoria de imprensa disse que ele é “financeiramente livre e pretende doar quase todo o seu patrimônio”.

Em que Changpeng Zhaoinveste hoje

Em abril de 2021, CZ disse para a Bloomberg que praticamente todo seu patrimônio está alocado em criptomoedas:

“Eu diria (que aloco) provavelmente perto de 100%. Eu não possuo nenhum fiat (moeda fiduciária). O material físico que possuo é provavelmente insignificante em termos de meu patrimônio líquido”.

Já em novembro de 2021, o empresário revelou à Associated Press que tem dois ativos em sua carteira – Bitcoin e Binance Coin:

“Comprei alguns Bitcoins em 2014. Gastei um pouco com o tempo, mas segurei a maior parte. Eu não vendi. O outro ativo que possuo, que é a maior parte do meu patrimônio líquido, é o BNB. Pessoalmente, não tenho outras moedas”, revelou.

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